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quinta-feira, outubro 28

::DECIFRA-ME OU TE DEVORO: ENCERRANDO CICLOS...


Desassossego "Marthiniano"
Das virtudes pela consciência

(...)
"Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.

Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.

Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam ao concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.

Desassossegados desconfiam de si mesmos, se acusam e se defendem, contradizem-se, são fáceis e difíceis, acatam e desrespeitam as leis e seus próprios conceitos, tumultuados e irresistíveis seres que latejam.

(...)

Desassossegados têm insônia e são gentis, lhes incomodam as verdades imutáveis, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente.

Desta raça somos todos, eu sou, só sossego quando me aceito."

Martha Medeiros


Tempo de iniciativas. Mudanças estruturais. O que fazer quando a cabeça não acompanha o coração e o querer não segue suficiente para agir? São dúvidas que surgem no caminho, apegos de ilusões comprometidas, sonhos e pontos inacabados. 


Difícil demais ousar a dar o próximo passo, quando sequer sabemos que podemos andar. Paralisia de si. Inércia diante do cotidiano. Inoperância que atinge o físico, de forma que a mente trabalha em contínua exaustão e embate de idéias insanas e turvas. É paradoxal. Um ócio criativo extremo. Um precipício a liberdade de pensar para depois agir. Uma travessia cruel.

"Não se conhecer a si mesmo revela a prudência do idealista: uma pessoa que tem razões para não se ver claramente a si própria e que é assaz inteligente para não esclarecer as suas próprias razões "
 Nietzsche , Friedrich 

Inacabados são os assuntos que insistimos em perdurar quando nada segura, de fato, o objeto no presente. Devemos abandonar a interdependência de situações e pessoas em busca da resolução dos conflitos reticentes. Difícil é a tarefa de aceitar que mesmo sem lotação e com assentos vagos, o trem ainda segue pelos trilhos, rumo a próxima estação. Tudo continua, mesmo que vago, vazio. Natural e comum são os "inacabados". Estes, por consciência individual única, tornam-se findos quando encerrados, com o perdão da redundância no termo aplicado, mesmo que na prolongação ou conformidade com o espectro que nos persegue.

Um passo a frente. E outro a se seguir. Como não olhar para trás, se o que somos é oriundo do que nos transformou? Nostalgia do que se foi é necessária na reavaliação do que somos e nos tornaremos por conseguinte. 

Tudo o que acontece é precedido de uma razão que origina o fato. Racionalizar demais é perder-se em si. Prisão sentenciada pela busca da liberdade de um elemento intangível, o livre do Ser, no espírito. Atributo prometido aos tolos que percorrem o arco íris em busca de seu fim e da promessa do pote de ouro. A glória em ouro, a transparência da cela encontra-se no caminho percorrido e não na promessa de que um dia, a busca encontrará o termo final. 


"Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"
Fernando Pessoa

Caminhos pelos percursos, travessias pelos andares. Ausência da pretensão de chegar, desde que a busca permaneça. É a sede da batalha sem a percepção da vitória que assossega o espírito guerreiro. Paixão pela sede em busca d' água, mas em torno do deserto que nunca a saciará.
"A persistência é o caminho para o êxito"
Chaplin

A vida por princípios assemelha-se ao doce que não se pode engolir. É a culpa pela limitação. A ação revestida de hipocrisia grifada. É o ato da cegueira de Saramago, frágil quando revelada a realidade do espírito que nos põe diante do instinto e paixão demasiadamente humanas. Sentir sem "Ser". "Querer" sem fazer. Pensar com aspas.

A escolha do passo adiante, do caminho cruzado com um destino percorrido e diante de si vai além da limitação moral. É o rompimento desta. Dilaceração do bem estar dos felizes enganos do cotidiano e sua mediocridade alegre e satisfeita. É o encontro com a insatisfação, a busca pelo desassossego. Promessa de liberdade para uma prisão em si, de transparentes barreiras, com reluzentes caminhos sem pontos de chegada, mas tão somente de partida. É a saída do engano para o encontro com o desencontro. Procura-se por indagações, em torno de respostas sem dizeres. Conformidade com a relatividade das coisas no que tange ao pensar, ao intangível real. Assumir a qualidade do humano em demasia com o ser em si.

Ações oriundas de impulsos instintivos ocasionados pelas paixões livres do indivíduo, vão de encontro com a essência precípua do desapego do "Ser" do espírito. Pássaros livres, espíritos guerreiros que buscam a batalha mais do que o logro pela vitória. Caminhadas ávidas na sede pelo conhecer e compreender, ultrapassadas as fórmulas prometidas do "saber". Escolher o desengano, romper com o incauto. É o corte das asas para poder voar. Paradoxo do eterno labirinto sufocante da liberdade aprisonada no pensar do Livre e preso Espírito em si, numa dinâmica muito mais elevada e consciente. 


"A prudência é o olho de todas as virtudes"
Pitágoras

Ser, como verbo de existir,  no espírito, na ação, na impulsão do instinto animal cercado das paixões tão mundanas. Ações por impulsos, norteadas pelos olhos da prudência racional e na persistência em busca do êxito, do mérito na liberdade em busca da identidade, a maior das prisões "after all".

Busca pela inquietude, desassossego e eterna consciência insaciável de si a despeito do "ego" que não prepondera. É o querer em verbos de ação ,no encontro dos caminhos pelos percursos, das travessias pelos cruzamentos, dos andares pelas pernas, sem potes de ouro, pontos de chegada ou quietude de respostas. É o trajeto do absoluto, na relatividade da realidade concreta. Despido de amarras em prol da realidade na utopia de viver. Ainda não sei ao certo se é o encontro com a cegueira ou a verdadeira visão. 


"Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue."
Fernando Pessoa

"Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias."
Fernando Pessoa

"A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar."
Fernando Pessoa

Para que esse embate? Daí te respondo: Em busca da arte de viver em criação, casada com a essência do "eu sou". Agora entendo o espírito da transformação na origem da persistente luta pelo "ser quem sou" prudente em minhas virtudes.


"Desejo para mim o espírito dessa frase, transformada a forma para casar com o que sou. Viver não é necessário, o que é necessário é criar"
Fernando Pessoa

.:. Girly Stuffs.com .:.
    Decifra-me ou te Devoro...


terça-feira, agosto 24

FERNANDO PESSOA: MUDANÇAS E TRAVESSIAS




"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
 
Fernando Pessoa


Esse pensamento não sai de minha cabeça há um tempo.
Mudanças. Acho que não é bem sobre isso. Enxergo pelo ângulo de que tudo muda o tempo inteiro, querendo ou não. A mudança é involuntária, constante e presente. Algumas pessoas acham que conseguem escapar desse incômodo, se ausentando, mas esquecem ou enganam-se com o óbvio: a presença, é sempre ela. Nosso "bolo" não a afeta e muito menos inibe. Ela continua...do verbo indicativo continuar, significando prosseguimento, que lembra caminhada, que impõe uma ação, ou seja, um movimento que, por sua vez, desemboca-se nela, a tão temida e inultimente ignorada, mudança. Ignorar o fato não faz com que ele deixe de existir. Sabemos, mas não compreendemos, e, se compreendemos, acabamos no final, descobrindo que não sabíamos o que pensávamos saber. É tudo meio louco mesmo. Minha cabeça então, nem se fala. Cheguei a conclusão de que tudo na vida, tem por consequência e fato gerador, a mudança. O início, pela transição do que o antecede, advém dessa palavrinha em destaque. A própria vida, em seu príncipio, meio e fim, sendo este último, com enfoque biológico, é determinado, iniciado, continuado e prosseguido pela mudança. Seria ela a origem, o natural do natural, ou simplesmente o inevitável? Tal como a morte, independente de seus atributos costumeiros e inatos à própria vida, não conseguimos deixar de nos apegarmos às constantes, que de constantes não têm nada, pois enxergamos pelo viés inverso, sem ver o que está na cara, que a constância encontra-se na incontância de tudo. A ação, o movimento e até o próprio pensamento convergem-se nesse inevitável paradoxo.

Daí, surge mais uma "pegadinha". Se o rompimento com o "usado", com nossos hábitos e caminhos não se trata de aceitar a mudança pelo movimento do corpo, pela travessia do tempo e a própria mudança da vida e de nós mesmos, o que deve nos intrigar e instigar nossa mente para o "pulo do gato", é a tão presente, conformidade. Sim! Porque é a conformidade que nos torna medíocres e marginários de nós mesmos. É o costume pelo costume, o hábito pelo hábito, o "céu porque é azul".

Sendo a mudança uma constante forjadamente ignorada, pior que ignorá-la é conformar-se com a mediocridade, com o que É e não muda. Coitada da Mudança! Tantos a ignoram e outros tantos a ridicularizam, incorporando seus efeitos na marginalidade da aceitação do dia a dia, desse ciclo vicioso, "seguro" e previsível...bem asfastado da toca do coelho.

Desassossegadas e inquietas são as mentes que fazem a travessia, que vivem e compreendem a verdadeira mudança. Essa travessia não garante o afamado passaporte para felicidade, mas tão somente o encontro, chegada ou permanência no maior Estado de todos: o da CONSCIÊNCIA.

Acho que o Pessoa, já ultrapassado a margem, ao encontro de Fernando, parou, olhou para o novo chão que pisava, refletiu por um breve instante e, com o mérito de desbravador, continuou sua caminhada até a próxima travessia.


"Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue."
Fernando Pessoa


Conheça alguns de seus trabalhos:

"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica
Mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou
Construir um castelo ..."


"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.."
"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca! 
Se o achar, segure-o!"
Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e
acredite em você.

Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando,
vivendo que esperando
Porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu.


"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".

"Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se. As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é."


"Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência, não pensar..."

"Deixei atrás os erros do que fui,
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exato nem feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.

Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua."


"Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar com o que eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar."

"Se eu te pudesse dizer
Aquilo que nunca te direi,
Tu terias que entender
Aquilo que nem eu sei
"

 
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