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quarta-feira, abril 4

:: MENTIR PRA QUE, MESMO?




“A verdade dói” , dizia a menina com uniforme da rede pública para a amiga, dentro do ônibus em que eu estava, a caminho do Centro.  Elas conversavam sobre o fim do relacionamento de uma terceira amiga. Aparentemente a menina havia sido dispensada por um dos dois namorados que mantinha.  

Eu confesso uma certa admiração por gente como a menina, que consegue manter dois namoros, dois casamentos, dois casos. Convenhamos que um só já é bastante complicado vez ou outra. Imagine você ter de lidar com duas pessoas em crise, duas doses de ciúmes, revezamento de carências, sem falar no gasto emocional de dar “amor” a duas pessoas. E olha que tem muito “Jedi”  por ai mantendo três ou quatro relacionamentos paralelos. Não dou nomes nem sob tortura, porque tenho amor a vida.

O papo me interessou e eu continuei acompanhando. A “dispensada”, segundo as amigas, estava triste demais [forcei, mas nenhuma lágrima desceu dos meus olhos secos]. O namorado desertor havia descoberto a farsa e, magoado no auge dos seus prováveis 15 anos, recitou uma dúzia de insultos impublicáveis para a adúltera. “Ele tá é certo...”, encerrou uma delas, antes de se levantarem juntas para descer. 



Longe de mim promover incentivo à violência, seja ela verbal ou física, mas dá pra entender. A menina, com a insegurança que deveria ser peculiar apenas à sua adolescência, garantiu dois namorados com receio de não ter nenhum. Acaba dando no mesmo. Eu fico meio sem entender esse papo egoísta de que você não precisa ser honesto com a pessoa que está com você.  

Dizer a verdade não é obrigatoriamente uma coisa fácil. É preciso iniciativa, coragem, determinação, firmeza mesmo. É preciso respirar fundo antes e cuidar das palavras pra elas não ferirem mais que o assunto em si. Vai doer no outro e até em você, se quer saber. Mas dói por menos tempo e machuca muito menos do que uma mentira descoberta. 

Ao contrário do que se pode pensar, quando defendo que se diga a verdade, não o faço para parecer o correto. Pasme, mas eu minto. Minto o tempo todo e sobretudo para mim mesmo. Acontece que a mentira não deveria ser banalizada e precisa ser contextualizada [vamos decorar essa parte, por favor]. Mentir pra quem se gosta é mentir pra si mesmo. É mentir pra tudo. Aí, não dá. A verdade simplifica, encurta processos dolorosos e deixa menos sequelas emocionais em quem a ouve. 

Ela dói sim, meninas. Mas vocês ainda tem muito tempo pra colocar tudo isso na balança. 

FUI!





Autor: Felipe Carvalheira


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segunda-feira, janeiro 31

::ENCRUZILHADAS: CAMINHOS E DESCAMINHOS DA AÇÃO

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional."
Carlos Drummond de Andrade




Encruzilhada. Ponto convergente, de inércia antes do próximo passo, decisivo no caminhar que separa duas trilhas distintas, paralelas e que jamais se cruzarão. Momentos decisivos que confrontam a realidade sossegada de quem deixa acontecer. Cedo ou tarde, a caneta, segura na  mão em negação de quem não quer escrever, obriga o possuidor, indivíduo e dono da história, a rabiscar no rascunho de uma vida que é, foi e sempre será dele. Ponderar para agir, refletir para não cometer enganos. Salvo a regra que no "quase sempre" impera, na exceção da encruzilhada, o momento de pensar encontra seu termo final. Os resultados, infinitos nas possibilidades de ação, trilham rumo próprio, ceifam o caminho alternativo não seguido e, como um portal encantado, encerram qualquer indagação a respeito de qual rumo seguir, posto que o passo seguinte, ainda que desmedido, toma a rédea, em teoria não praticada, para agir no impulso quando não há mais possibilidade de paralisia.






"Não devemos ter medo dos confrontos... até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas."
Charles Chaplin

"Falar é completamente fácil,
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá."
Carlos Drummond de Andrade





O passo, responsável na atitude de quem sabe o que escolhe, encara a escolha, a decisão projetada, em conformidade com a renúncia preterida. O limbo de pensar, sentir e agir, quando compreendido na consciência de si e para si, encara os erros, acertos, hipóteses, ações e omissões de forma integral com a vontade dominante, alforriada e sem espaços vazios para culpas, inquietações e suposições do que deveria ter sido. Qual a vantagem ou proteção da atuação em monólogo perante a platéia de um só que reside em nós, encerrando atos em negações para o público transformado em auditório teleguiado de piadas portuguesas? Sem brechas para repeteco em "mais uma chance, mais uma chance", a paródia encerra-se ali, na burrice do automático, na algema do seguro e previsível.






"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."
Charles Chaplin



"O pensamento é o ensaio da ação."
Sigmund Freud



"Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, se convence que os mortais não podem ocultar nenhum segredo. Aquele que não fala com os lábios, fala com as pontas dos dedos: nós nos traímos por todos os poros."
Sigmund Freud





Escolhas podem revelar-se em decisões certas ou erradas, seguras ou nem tanto, mas, desde que sejam tomadas por impulsos verdadeiros de ação, qualquer consequência relativa ao momento ativo, agrega valores positivos aos caminhos futuros. Não interessa o mar revolto, desde que a nau possua comandante. As cabeças fervorosas, de quem escolhe o que quer a despeito da calmaria do cais, encontra em si a correnteza que leva para longe a segurança do porto, mas compreende o movimento da maré, para de fato viver o que é pra se vivido. Encarar a mistura da realidade que nunca é uma só, constante na certeza de sua mutação, crua, nua, sempre surpreendente e reveladora é aceitar a ausência de pontos fixos e imutáveis. Ser é viver em oposto, em paradoxos e contradições. Somos frutos do que somos e maduros quando colhidos no pé da experiência adquirida através dos erros, ousadias, escolhas, acertos, sortes, tentativas, transformações...tudo o que desagua no oceano da Vivência . Somos, quando vivemos e, vivemos quando descobrimos a liberdade inerente a cada um de nós. Liberdade responsável, ao contrário da anarquia empregada pelo carpe diem do instinto sem razão, mais negado do que vivido em si. Na responsabilidade de ser livre, o atributo solto é o espaço onde a felicidade se encontra e reside como um mestre joão de barro.






"O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto."
Fernando Pessoa

"Existo onde não penso"
Sigmund Freud





Vivemos em construções, somos arte em eterno movimento. A estática não cabe em nós. Ser feliz é para poucos. Poucos os que tentam, encaram e aceitam guiar e controlar suas carruagens. Ainda que fuja da compreensão, respiramos pelos nossos pulmões e nãos estes que respiram por nós. Engana-se o pobre coitado que só deixa a vida lhe levar. A inércia diante do destino, é uma forma de andar. Andar pelos descaminhos, ser leiteiro dos casos e acasos de uma vida que antes de ser da virtú é nossa, tábula rasa do livre arbítrio e responsável perante nosso destino. Viver é não ter respostas para tudo...e saber questionar, é saber se levar, é tentar SER.






"A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz."
Sigmund Freud





Qual é o verdadeiro intuito na interiorizarção banal do cotidiano hipócrita dos que vivem e "vamos lá...hoje é segunda, amanhã terça e sexta que me aguarde"? Todo dia é um novo dia, sem amarras para transformações, mudanças e desvios de caminhos que não correspondem mais. Ser feliz é ser você, é compreender o que sinto, o que sou, o que vejo, o que não entendo, o que quero, o que desejo e o que não me passa pela cabeça. É estabelecer regras, mas compreender a transgressão como prima da ousadia que impulsiona a coragem dos atrevidos. Não encontro resposta alguma, mas esbarro todos os dias com experiências e novas indagações. Sinto-me caminhando e aprendi que me despir na desconstrução é pilar estrutural para a constância de viver e assim sempre será. O aprendizado é eterno e nunca mestre senão de si enquanto contínuo na arte de absorver a lição. Desconstruir para construir de novo, não. O melhor, é a eterna construção.






Ser um joão de barro, um eterno aprendiz, uma constante revelação. Autêntico e insubstituível. Sagaz e corajoso. Errante e Dom Quixote. Consistente e real. Ser indivíduo, INDIVIsível no DUAL.





"Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também, o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos...“sem querer“
Freud

"Não existe uma regra de ouro que se aplique a todos: todo homem tem de descobrir por si mesmo de que modo especifico pode ser salvo."
Freud

"Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda."
Freud








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  Liberdade é pouco, o que desejo ainda não tem nome"



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quarta-feira, janeiro 12

::TEMPO CERTO: PERCEPÇÃO E VONTADE




"Tempo Certo"


De uma coisa podemos ter certeza:
de nada adianta querer apressar as coisas;
tudo vem ao seu tempo,
dentro do prazo que lhe foi previsto.
Mas a natureza humana não é muito paciente.
Temos pressa em tudo e aí acontecem
os atropelos do destino,
aquela situação que você mesmo provoca,
por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo. Mas alguém poderia dizer:
Qual é esse tempo certo?

Bom, basta observar os sinais.
Quando alguma coisa está para acontecer
ou chegar até sua vida,
pequenas manifestações do cotidiano
enviarão sinais indicando o caminho certo.
Pode ser a palavra de um amigo,
um texto lido, uma observação qualquer.
Mas, com certeza, o sincronismo se encarregará
de colocar você no lugar certo,
na hora certa, no momento certo,
diante da situação ou da pessoa certa.

Basta você acreditar que nada acontece por acaso. Talvez seja por isso que você esteja
agora lendo estas linhas.
Tente observar melhor o que está a sua volta.
Com certeza alguns desses sinais
já estão por perto e você nem os notou ainda.
Lembre-se, que o universo sempre
conspira a seu favor quando você possui um
objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento.
 
Paulo Coelho



Tempo certo é um tanto diferente de timing, quando cruzados os conceitos além de uma só pessoa. Se existe algo que detesto pronunciar é a seguinte frase: "O timing passou". Ora, existe maior frustração do que deixar de vivenciar o "tempo certo" em conjunto, quando o encontro dessas passagens ocorre em momentos diferentes para cada um? Daí surge a questão do timing. E quanto a falta de encaixe, nesse sentido, não há o que ser feito, a não ser seguir em frente e, de vez em quando, pensar no que poderia ter sido feito, quando olhamos para trás. Afinal, somos humanos, e todos, sem exceção, em algum momento da vida reavaliamos nossos atos através de lentes passadas, no enfoque da nostalgia suspirante.




"Iniciativa é fazermos o que está certo sem ser preciso que alguém nos diga para fazermos tal."
Victor Hugo



Alguns vivem em busca de "sinais" do destino para o clique do "momento certo" de ação ou percepção de algo que se encontra, tantas vezes, na ponta do nariz. Como se tudo na vida fosse óbvio e certo de ser percebido, contextualizado e decifrado. Pobres almas as que tentam catalogar o destino como o livro-resposta ou revista do mês. Quero um amor: letra "A" - Vá até o mercado e, de repente, olhe para o lado e você poderá encontrar o que sempre BUSCOU. Garanto que o encontro mais provável será com a promoção de seu chocolate predileto ou distribuição de sabão em pó relâmpago...mas alma gêma, THE ONE, etc, etc, etc...dificilmente estará etiquetado aguardando por você. Hollywood encanta nesse sentido e enche os corações solitários de esperanças que esbarram nas malditas ilusões...nos contos de fada da vida moderna.



"De um certo ponto adiante não há mais retorno.Esse é o ponto que deve ser alcançado."
Franz Kafka


As realidades concretas não são simples ou óbvias como seguir o que seu signo relaciona para o dia. No entanto, não se engane através de atitudes extremadas. O pior cego é aquele que não quer ver. Ignorar sinais que, de fato, aparecem todos os dias, relativos a diversos aspectos de nossas vidas, seria dar um tiro no próprio pé e sufocar o coração que anseia por mudanças. De certo que os sinais vão de acordo com nossa perspectiva e, se acaso você reclama da falta de oportunidade em qualquer setor, no exato momento em que lê estas linhas, a dica do dia é: mude o enfoque, troque a lente. Cada ação intentada sem alcance do resultado pretendido, demonstra não o erro, mas a perspectiva de aprendizado para não conseguir o que se pretende. A partir daí, uma hipótese a menos a ser considerada.



"Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez"
Thomas Edison


O que quero dizer é: cansada(o) de encontrar pessoas iguais e que nada acrescentam? Procure então pessoas com perfis diferentes, olhares diversos. O que você vive é reflexo de uma perspectiva somente sua, de mais ninguém. Desistir é muito mais fácil...admito até que minha imperfeição é tamanha que já me permiti desistir diversas vezes, quando poderia apenas mudar; eu disse apenas? É bem difícil encarar, mas o primeiro passo para o avanço é o reconhecimento da conduta viciada. Thomas Edison, criou a lâmpada através de aprendizados adquiridos com resultados adversos ao prentendido. A cada tentativa frustrada, o conhecimento negativo o levava ao caminho cada vez mais próximo de sua grande invenção.



"Valorize os seus limites e por certo não se livrará mais deles."
Richard Bach


Portanto, sucessivos encontros nulos, relacionamentos frustrantes ou vazios, podem indicar, ou não, o caminho certo para o parceiro ideal. Mas para isso, além de ler o poema escrito pelo Paulo Coelho e se inspirar  através dele, devemos trocar as lentes e, além de perceber, compreender os sinais. Padrões repetitivos nos levarão sempre aos mesmos lugares. Saia do ciclo comportamental vicioso que não permite a quebra de padrões conscientes e inconscientes. Tire os óculos ou aumente o grau, esfregue os olhos, arregale-os ou até grampeie-os, caso necessário para não fechá-los; mas não continue a ter a mesma visão, se esta não lhe agrada.



"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."
Dalai Lama


Não vá caçar em locadoras, mercados, festas "O" seu grande amor. O fato de provavelmente encontrá-lo quando menos estiver esperando, não significa dizer que o fruteiro da esquina poderá ser o cupido da história abençoado pela sorte. O destino é astuto e adora confundir, assim como Jesus fazia sabiamente com os fariseus. Suas parábolas, até hoje, são interpretadas de diversas maneiras, dependendo da análise realizada sobre elas. O destino, com a destreza e fala de um Chapolin Colorado "Não contava com minha astúcia!!", nos pega de jeito...e tentar perceber sua ação e provocar seu intento, é ser o Coiote da história...frustrado em cada tentativa de caçar o Papa-Léguas.


"Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois."
Guimarães Rosa


A primeira regra, além de saber o que você quer, de fato, para sua vida, é não ter nenhuma outra. Viver a vida, como sua e, não dependente de obras do além é primordial para alcançar resultados positivos e concretos. Tudo pode ser, ou não, um sinal; basta você acreditar, perceber e compreender. Para isso, acredite; é necessário que o momento certo chegue até você. Seja com uma carta, texto, crônica, poema, fala, indireta, encontro ou desencontro. De repente, assim do nada, você tem o CLIQUE. - Opa! É isso! Até uma trilha sonora e iluminação de cinema são capazes de serem percebidos quando chegado o breve e único "MOMENTO CERTO". 


"Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre."
Charles Chaplin

Agora, atenção: se após o estalo, os pés continuarem juntos e não se posicionarem para o novo movimento, seja de qual natureza for, o "momento certo" passa e o timing de ação se encerra. Atitudes retardatárias não produzem, jamais, os efeitos originais pretendidos. Imaginem a corrida do Mario Kart; o maldito comgumelo já ultrapassou a linha de chegada e ganhou o primeiro lugar na corrida, em que você, ainda precisa completar mais duas voltas para finalizar. Meu caro, não se engane...ultrapassar o Toddy, jogar banana no asfalto para que ele perca a velocidade, usar a estrelinha com turbo e etc, quando este já seguiu a frente, não fará com que sua última posição seja modificada. A corrida, para ele, já se encerrou... "Ya- hulllll". É tudo uma questão de timing, "Oh-ôuu".

Os sinais nunca são claros como letreiros ou placas luminosas. É tudo muito sutil, geralmente acompanhado de dúvidas e incertezas quanto ao timing, recado e orientação. Pondere com o sexto sentido, com a intuição presente em cada um de nós. Abafar a voz que insiste sussurar em nossa mente, é descartar a "ajuda dos universitários" quando estamos a um passo de alcançar o milhão. Daí esbarramos na trilha da probabilidade...; será que isso é aquilo ou aquilo é outra coisa? A resposta só virá se ousarmos respondê-la, caso contrário, a interrogação, para sempre, permanecerá. 

"Outro sinal de se estar em caminho certo é o de não ficar aflita por não entender; a atitude deve ser: não se perde por esperar, não se perde por não entender."
Clarice Lispector


A cada passo novo, outras incertezas provocarão o medo de dar o próximo passo. O protagonista não pode ser o medo, mas a coragem, revelada na atitude de quem ultrapassa e não se mantém inerte. Na vida, resposta certa não existe assim como resultados "errados", mas soluções diversas das pretendidas. O que fazer então? Tentar, tentar e tentar, sempre de formas diferentes, até se alcançar o resultado almejado. Infinitas tentativas iguais, não produzirão o resultado desejado quando sempre frusturadas pelos mesmos motivos. Não se inspire no Romeu que é "levado" a matar Teobaldo. A fala, "sou um joguete do destino!" é para os tolos que não reconhecem seu poder de ação e decisão.


"Tenho juizo, mas não faço tudo certo, afinal todo paraíso precisa de um pouco de inferno!"
Martha Medeiros


Alguns passos nos levam a caminhos seguros, outros não. Algumas atitudes poderiam ser modificadas caso fosse possível apertar o "rewind" para o tempo, mas ACORDE!!! Essa alternativa não é válida! Tudo o que acontece, ABSOLUTAMENTE TUDO, chega por uma razão...eis o destino operando com suas armas. Podemos ou não utilizá-las a nosso favor; para isso, posturas flexíveis e perspectivas alternadas nos permitirão uma abrangência e controle maior do que É, PODERÁ SER ou SÉRA de nós. Entrar no jogo é delicioso, mas para isso, devemos jogar fora a venda que nos permitia somente brincar de "Cabra Cega" ao invés de "Pique-Pega".


"Que mata o tempo não é assassiono, mas um verdadeiro suicida"

Observe de verdade, compreenda, internalize os sinais. Momento certo é sempre único e convergente com o momento certo alheio. Deixá-lo passar, é permitir o atropelo do timing. Mais trágico do que a perda do tempo, é o abandono das oportunidades que ficaram para trás.

"O destino conduz o que consente e arrasta o que resiste."

Séneca

Os sinais, revelados pela sincronicidade dos acontecimentos que estimulam nosso "clique", jamais podem ser manipulados. Não importa o que aconteça, se o sinal está presente e você abre os olhos para a "verdadeira visão", somente uma coisa poderá impedir a atuação "presente" do destino: você e seu livre arbítrio de querer, não querer, ignorar ou deixar passar situações que lhe são apresentadas a todo instante. Em vários momentos, desempenhamos papéis diversos no BBB da vida real. O "destino Bial" apresenta a isca, mas cabe a nós, a sensibilidade e percepção objetiva do que nos cerca. Seja qual for a decisão, podemos seguir sempre por caminhos alternativos diversos. Uns, como labirintos, nos levarão sempre aos mesmos lugares; outros, por trilhas mais complicadas, nos revelarão, na hora certa, o quanto é melhor abrir os olhos e seguir com passos livres, rumo a "saída" respaldada pelo autoconhecimento, discernimento e sabedoria de cada um. O nome disso é vivência e, tal alcance, só se encerra, com a morte.




"Tempos Modernos"

Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima do muro
De hipocrisia que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais farta e clara
Repleta de toda a satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão

Eu quero crer no amor numa boa
E que isso valha prá qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão

Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer mais sim do que não

Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte amor
Vamos viver tudo o que há prá viver
Vamos nos permitir



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  "Hoje o tempo voa amor..."



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terça-feira, dezembro 28

:: OUSADIA EM LIBERDADE: A VERDADE DE QUEM É



Fácil é ouvir a música que toca.Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.

Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é sonhar todas as noites.Difícil é lutar por um sonho.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.

Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.

Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.

Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente sentimos.

Carlos Drummond de Andrade



Cada dia que passa percebo o quanto é difícil ser, quem de fato, somos. Sinto-me partida em duas; duas esferas que quase se cruzam, quase se encontram, quase SÃO e coexistem em uma. Dualidade em nós, ou em mim, ou em todos, talvez. Provável que nesse embate de "eus", o íntimo e pessoal se revelem, ainda que  camuflados nas entrelinhas, quase palavras ou possibilidades de ser. O primeiro passo é sempre o reconhecimento do choque, do contraditório e da completa incapacidade de controle ou dominação acerca de quem somos, posto que a liberdade é a verdadeira essência do ser, a despeito de conceitos, consciências, culpas e inquietações.




"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar."
William Shakespeare

"Esta consciência, que faz de todos nós covardes."
William Shakespeare





"A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar."
Fernando Pessoa



Ser é tão mais difícil do que existir. O Ser não impõe limites a si e reconhece seu lugar na liberdade de quem É. Existir nada mais significa do que Ser em conforto; aprendizados revelados pela consciência de que somos, pensamos e agimos dominados pela razão que nos guia e acomoda o instinto que a ela não pertence. Confesso que  todos os dias deixo de ser quem realmente sou; me revelo nas palavras, quase ultrapasso a barreira nas atitudes, mas no fim, ainda me limito na consciência do pensar, a grande restrição do querer, agir, fazer e acontecer. "Tudo é ousado para quem nada se atreve". Admito que me atrevo, que ouso, mas confesso, ainda limito-me nas regras desse meu pensar que deveria agir, agir, agir para, enfim, SER quem sou.




"Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio - e eis que a verdade se me revela."
Albert Einstein

"Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade.
És tu."
Cecília Meireles


Em certos momentos somos postos a pensar e refletir sobre um tudo, encarar o divã ocupado por um só doutor, que escolhe ser paciente de si. Tantas vezes deixamos de agir por medo camuflado na prudência do que somos. Eis o pior engano de todos. Atitude é a palavra de quem busca ser o que é, na irrefletida e transitória arte de viver. Desligue o botão do automático na passividade de quem acredita que o destino conduz nossos passos. Penso na importância dos braços firmes, dos pés incansáveis diante do mar revolto, ainda que a correnteza siga comandante e mestre do destemido nadador. Independente dos caminhos revelados pelo destino que nos cruza, surpreende e atenta, nossa ação em liberdade e vontade diante de cada porta aberta, fechada, trancada ou semi-aberta, é que transforma nosso ser, revoluciona nossos caminhos e surpreende os instintos acostumados a prevenir para não se ocupar em remediar. A vontade reprimida, o desejo ignorado, a ousadia em vias de só pensar, a face limpa de quem nunca levou um tapa enterram o destino, apagam qualquer sinal, perdem o trem da própria vida, e o nadador...ah..esse morreu antes de chegar na praia. Ele apenas existiu.



"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe." 
Oscar Wilde





"Um dos efeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer que as coisas não pareçam o que são."
Miguel Cervantes


A leveza acompanha a felicidade, sua essência não transborda, tão somente preenche. Na liberdade de Ser quem somos, nenhuma ação é absoluta, eis o segredo e espaço que a felicidade realmente precisa. Caminhar, seguir, ousar, atravessar, cruzar, voltar atrás, prosseguir; qualquer ação que não nos deixe à margem de quem somos, na mediocridade daquele que SÓ deixa a vida o guiar, sem passos firmes diante dela. Cante "Deixo a vida me levar, vida leva eu....deixo a vida me levar, vida leva eu..." mas não deixe de pular, sambar e agir nesse mar em correntes que se chama destino. Observe os sinais para chegar vivo a praia. Só assim, prosseguiremos cantando "sou feliz e agradeço por tudo que Deus me deu."




"O resultado do pensamento não tem de ser o sentimento mas a atividade."
Vincent Van Gogh



"Não é digno de saborear o mel aquele que se afasta da colméia com medo das picadelas das abelhas."
William Shakespeare


Nada melhor do que um fim de ano para reavaliação de atos e pensamentos que transbordam em quem somos hoje. Revele suas vontades, utilize as palavras que em demasia engolimos por prudência, medo ou puro condicionamento de nosso instinto protetor enganado pela promessa de segurança e conforto da razão. Limite-se a ser quem você é e esqueça do resto. Aja com vontade, desejo e paixão nessa vida de rotinas, percalços, mesmices e condições. Decifre suas vontades, anseios, medos e fantasias; ouse, permita-se ousar para uma caminhada desbravadora, aventureira mas consciente na integridade de si, sem limitações ou desvios de pensar para depois agir. Evolua. Saia do mesmo lugar...TRANSFORME-SE, LIBERTE-SE.




"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro." 
Fernando Sabino

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  "Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional. "
Carlos Drummond de Andrade



























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quarta-feira, dezembro 15

:: DESVIO DA ROTINA: À PROCURA DO ENCONTRO

"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade."
 
Mário Quintana


"A LIBERDADE É O ESPAÇO QUE A FELICIDADE PRECISA"
Fernando Sabino





Quando as perguntas são infinitamente maiores do que as respostas e quando o pensamento acompanha, desconfiado, a dúvida, percebo que é tempo de ação. Minha urgente necessidade de criar, para então, viver. Conflitos infinitos, vontades em paradoxos, pensamentos inconsistentes.

"A maneira como você encara a vida é que faz a diferença.A vida muda quando você muda."
Luiz Fernando Verissimo


Sair da inércia de pensar, para agir no plano real, concreto. O que limita, neste instante, é a indefinição de caminho, percurso. Para onde ir, o que fazer, onde está a sinalização? Mas também, por outro lado, quem pode afirmar a necessidade de trilha certa no caminho do destino? Talvez seja o ponto de desbravamento, do desconhecido se revelar; daí a origem e objetivo da "perdição", do vazio. Perder-se para depois encontrar. Esvaziar, para enfim, preencher.

"O destino conduz o que consente e arrasta o que resiste."
Séneca


Talvez, a falta de rumo e o vazio que sinalizam a perdição de si e em si não sejam a pior das condições. Pior do que isso é o caminho que percorremos até esvaziar, a trilha que seguimos até nos perder. O resto é consequência, é ferida em vias de tratamento. Ponto de partida, marco zero. Hierarquias necessárias para o encontro futuro com algo mais consistente do que o "agora".

"Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode,que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando,
vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu."

Luis Fernando Veríssimo


A sucessão de acontecimentos que carregam os pensares, uma vez tão claros e constantes, quando percorrido o caminho rumo ao desconhecido e inconsciente "desencontro" são deveras mais penosos e cruéis do que os desassossegos de quem não sabe mais para onde ir. Perdas, desvivências em rotinas automáticas que enterram no dia a dia as possibilidades infinitas de mudanças e prazeres simples da vida, hoje, incomuns. Decepções; alheias e próprias; individuais e coletivas; insensatas e devidas; plantadas e colhidas. Mudanças, em rupturas não mais estáveis, questionamentos nunca antes evocados; desistências, conformidades, cotidianos homicidas. Trilhas invisíveis que, como imãs, nos levam àquele lugar, ou, para alguns, a este lugar.



Daí eu penso: tempo de renovação de idéias, de novos pensamentos, posturas, ações. Quebra de padrões que nos levam sempre aos mesmos lugares, comportamentos que indicam sempre os mesmos caminhos, verdades que desdobram nas mesmas mentiras. O aprendizado concretiza-se com o passado vivido, sentido e refletido no presente; jamais com o futuro, incógnito a qualquer reles mortal sem dons adivinhatórios. Olhar crítico individual, percepção consciente da vontade de mudar, bem longe da facilidade pretérita de continuidade, permissividade do "deixa rolar".

"Nos acontecimentos, sim, é que há destino: Nos homens, não - espuma de um segundo...
Se Colombo morresse em pequenino, O Neves descobriria o Novo Mundo."
Mário Quintana


Necessito ser dona de minha própria história e desempenhar o papel de protagonista da mesma. Ser coadjuvante de mim é algo intolerável diante de minha personalidade, sempre forte e impositiva. Questiono-me sempre acerca de tudo, busco o limite de meus conceitos, idéias, paixões e instintos. Procuro sempre me revelar, ainda que a direção siga por mares revoltos.

"Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois"

Mário Quintana


Nossa vida é tecida por momentos, histórias e pessoas que preenchem as páginas de nossas vidas. O equilíbrio emocional é a habilidade adquirida que nos levará a travessia das cordas bambas dessa vida, quase sempre, louca. Aprendi que o dinheiro não é tudo, mas sem ele você não é nada; e com nada, NADA se alcança. Aprendi que a felicidade vem das coisas mais simples, mas difícil apreciá-la em sua plenitude quando deixamos a rotina, no botão automático, nos guiar rumo ao inexpressivo. A felicidade é o fim; dinheiro, o meio necessário para concretização de metas. No entanto, a maior riqueza dessa vida, na perspectiva das pinceladas de minha tela pessoal, consiste na leveza de espírito capaz de apreciar o mínimo máximo das coisas. Ponto de vista do suficiente, sem me deixar levar pelas paixões insintivas ou pela inversão de metas.



Sei lá qual é o objetivo de "tudo", sequer sei o que "tudo" significa. Quanto mais mergulho em mim, menos me conheço e mais me alcanço. Talvez esse escuro proporcione a luz do caminho e minha perdição desemboque no melhor dos desencontros: a verdadeira existência. Carpe diem moderado no equilíbrio de quem sabe o que quer, ainda que em linhas gerais. Surpreender e ser surpreendido; se deixar levar pelas vontades positivas, no sentido de ousadia, de coragem e peito aberto. Ansear pela liberdade, apreciar o tempo, saudar o passado e deixar as portas abertas para o novo. Dizer que gosta, quando gosta; na dúvida, agir se a vontade for maior que o desejo; tomar as rédeas de sua própria vida e não deixar que ninguém seja responsável por sua felicidade, verdadeiramente alcançada quando descoberta em nós e por nós.

"De tudo ficaram três coisas...
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro"
Fernando Sabino


Autoconhecimento é a chave para abertura de novos caminhos, diferentes olhares. Assumir, por completo, seu "eu"em busca de sua maior aventura: ser VOCÊ, para ser HUMANO. Quer dançar?



"Quero pra mim o espírito dessa frase, transformada a forma para casar com quem eu sou. Viver não é necessário, o que é necessário é criar."
Fernando Pessoa.



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UNWRITTEN
Natasha Bedingfield

I am unwritten, can't read my mind, I'm undefined
I'm just beginning, the pen's in my hand, ending unplanned

Staring at the blank page before you
Open up the dirty window
Let the sun illuminate the words that you could not find

Reaching for something in the distance
So close you can almost taste it
Release your innovations
Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins
The rest is still unwritten

Oh, oh, oh

I break tradition, sometimes my tries, are outside the lines
We've been conditioned to not make mistakes, but I can't live that way

Staring at the blank page before you
Open up the dirty window
Let the sun illuminate the words that you could not find

Reaching for something in the distance
So close you can almost taste it
Release your inner visions
Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins

Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins
The rest is still unwritten

Staring at the blank page before you
Open up the dirty window
Let the sun illuminate the words that you could not find

Reaching for something in the distance
So close you can almost taste it
Release your inner visions
Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins

Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is where your book begins
The rest is still unwritten


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terça-feira, novembro 9

::ALGUÉM TEM QUE CEDER: ESCOLHAS, ENCONTROS E DESENCONTROS

“O amor verdadeiro tem destas coisas: não se explica, não se controla, não se racionaliza, simplesmente toma conta" 
Martha Medeiros

"Me preocupar com você, pensar que arruinei sua vida, é algo que faço o tempo todo desde que te conheci!" (fala do filme "Alguém tem que ceder"). Esse é o discurso de quem, por não querer se envolver, quase se envolve mas escolhe a renúncia de qualquer possibilidade de vínculo afetivo, na garantia da segurança do "mais forte". Quando encontra-se "O" sujeito determinado da oração de seu presente, deixá-lo de lado para vagar no oculto, é um engano brutal. A caixinha de música se faz presente, mas não é aberta. Ignorar a melodia não anula a verdade da caixa. O som penetra de outro jeito no imaginário da possibilidade, do "e se?". Como um personagem covarde ao comprometimento de uma relação não vivida, engana-se o "esperto" que tenta driblar o incontrolável. Se não o vive pra fora, o "por dentro" permanece e, mais do que isso, inquieta, como um incessante zumbido de pernilongo no quarto escuro.

Era Nietzsche quem afirmava que ninguém busca igualdade de relações. Em sua concepção, hipócrita seria quem afirmasse a própria humildade e altruísmo como objetivos desinteressados de qualquer regozijo interno. Numa relação a dois é mais poderoso quem se preocupa menos, quem gosta menos. No entanto, tal regra só vale na essência, sendo inútil quando dissimulada. Quem a enfatiza na vida privada, na intimidade de uma relação amorosa,  garante uma dúzia de corações alheios, partidos em mil pedaços, por não ser a parte fraca da relação. É o que liga menos, sente menos e quem não quer mais.

A coragem não é a ausência do medo, mas a presença ultrapassada deste obstáculo; o ir adiante, avante, além, seguir a brisa, dar a cara a tapa, tentar mais uma vez ou até voltar atrás. As pessoas erram na vida buscando acertos, êxitos, seguranças e estabilidades. Constâncias de viver. A percepção objetiva de tentativas e acertos na vida prática individual encaixa-se como luva no trabalho, na poupança, no estudo, nos projetos e ambições, nas concretizações. Relacionamento, união de corpos distintos em prol de uma vontade, de um querer, é tecido por outro princípio que não o da razão prática.


"Tudo é ousado para quem nada se atreve"


Ninguém busca ser a parte em desvantagem na relação, seja de qual natureza for. Quanto a isso, Nietchze ainda tem razão. Mas quando o foco é íntimo, o  erro, nítido e oriundo do privilégio na segurança lógica, reside na procura pela vantagem a despeito do equilíbrio a dois. Metade e não três quartos. Cinco de dez e não cinco de sete. Meia colher de açúcar e meia de farinha de trigo. Metade biscoito, metade recheio. Empate. Status quo.

Medo de gostar, pavor de se envolver e por se envolver, mais tarde se decepcionar. Receio de amar, tentar novamente e insistir no erro. Sim, todos temos. Medo de gostar em vão, medo de querer mais ou sentir além. A resenha dos receios é a potencialidade de ser "menos" numa relação. Daí, quando inseguros e ariscos, encontramos meios de autodefesa programada. São os jogos de poder.



Desistir cedo ou sequer tentar é covardia de quem não ousa arriscar. Criança que vive é criança que se espatifa, enfia o dedo na tomada para aprender que dá choque, suja a roupa nova, aperta a campainha dos outros e sai correndo, se lambuza de sorvete, se assusta com histórias de terror, faz a brincadeira do copo, corre na chuva e anseia pelas férias de verão. Comer no "podrão" cria resistência no organismo. Nesse aspecto, o erro é o acerto na vivência da experiência do dia a dia.

Quem ousa realizar a travessia do medo ao encontro da coragem? Ponderação de interesses, respeito à realidade e consciência das vontades. Ser atrevido e desafiar a si próprio. Se for pra amar, que seja bem amado. Se for para tentar, que não pare na metade. Se for para sentir, que sinta com razão. Se for para querer, que queira A VONTADE. Se for a exceção, que seja única e fora da regra.



O egoísmo prepondera nas relações atuais. Uma individualidade exacerbada no sentido de que, "Eu", sempre em primerio e segundo lugar, durante o tempo em que "Eu" estiver satisfeito. Eu (sem aspas) não quero ser assim! Não tenho tatuagens que contem minha história, mas as cicatrizes que carrego me trouxeram até aqui. Podia ter amado mais, arriscado mais, "querido" mais. Podia ter calado menos, sentido menos, escondido menos, forjado menos, fugido menos. O medo foi o ponto de conflito, mas que nunca anulou o objeto em si. Medo de machucar, e por não controlar o que viria a acontecer, me machucava ainda mais. Medo de terminar, e por temer, terminava com antecedência. Medo da repetente decepção, minha singela razão sínica para não mudar o disco e abrir portas ao novo, desconhecido. Nada se repete, acontece do mesmo jeito. Por pior que seja a experiência anterior, no ato seguinte, os atores são outros, inclusive o "EU" de cada um. Nem pior e nem melhor, apenas diferente e apta a virar a página e escrever outro capítulo.

Deixei de sentir por muito tempo, fingindo que sentia tanto, na segurança dos pés no chão. Quando ousei, aceitei dançar na inconstância do sentir a dois, fui a fundo, senti tudo, quebrei a cara, sofri, me reergui e retornei. Não existem algozes ou vítimas do destino. Experiências são fatos, vontades no plano da ação. Continuidade. Experiências nos permitem encerrar capítulos, escrever novas histórias, aprender novos ritmos, descobrir novos gostos ou recomeçar quando tudo parecia findo no passado. A experiência permite o encontro com a vivência no discernimento de cada atitude revelada nos atos de vontade, de decisão, de querer.



O exercício do livre arbítrio é a permissão que concedemos a nós mesmos de seguir em frente, dar a cara a tapa, concordar com Nietzschze e ainda assim buscar o conforto do amor bobo, capaz até de ferir a fundo. Um amor de estação, de momento, quiçá não correspondido, pouco vivido, sentido ao máximo, duradouro ou escasso com o conhecimento de cada um. Por que não tentar, ousar, voltar, falar, querer, sentir? Ouro de tolo, a vantagem  de malandro na proteção alcançada com o status de poder no pólo forte da relação. O poder não garante felicidade nesse sentido. O poder não garante a vivência. O poder garante a segurança nula, de quem não sente por temer se revelar. Um querer viciado. Um jogo repetitivo sem lógica na mesma estratégia: não jogar.

Pegar o caminho errado, quebrar a cara, permitir ser bobo, se apaixonar, cometer loucuras, também é viver. Aliás, talvez seja o colorido da vida, a sonoridade da música, o ritmo da dança, o "bobo" do apaixonado. O tempo para isso é sempre o "agora", na dependência de um único vetor, qual seja, a decisão, o impulso máximo da vontade diretiva.



Tentar sem resposta, sem caminho, sem destino. Tentar por tentar, por sentir, por viver. Viver por querer, com querer e pra ser querido. Chorar pra valer, contar histórias, lembrar com saudade, inventar desafios, solucionar conflitos, superar um fora e dar um fora para superar. Escolher o turbilhão do "tudo" ao vazio do "nada". Explorar os sentidos com o sentir alheio em si. Admitir que quer quando se quer com vontade, sem razão na lógica, apenas pela necessitade inexplicável de querer, mesmo sem poder. Escolher artigos definidos acompanhando substantivos. Esquecer "um" amor para buscar "O" amor. Resgatar "O" amor quando não superado.

Transformações impulsionam os ponteiros do tempo. Somos eternas mutações. Não sou a mesma de ontem, sou quem sou agora e, de certo, serei outra no amanhã. Quem sou eu? Uma relatividade em mim. Como criar expectativas eternas se o que queremos "agora" é fruto do que somos no momento do querer, tão inconstante quanto o pensamento que transborda no tempo? Real é agora, querer é já, imediato demais para se fazer esperar. Injusto reprimir o desejo de sentir na melhor das vontades.



Amor não tem lógica, propósito, distância. Não busca "O" certo, "O" apropriado, "O" momento, "A" razão. Ele arrisca, sente com querer, magoa e é magoado, ama e é amado, termina ou é recomeçado, se inicia não sei da onde ou surge sei lá do que. Às vezes permanece, pode até se perder no tempo, é ousado, quando difícil de se viver, e perfeito quando ultrapassado os obstáculos do medo. Mas sobre ele e, nele se grita: valeu, vale ou valerá a pena senti-lo em mim. Que se faça presente.

"Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.

Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil delidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.

Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência."

Martha Medeiros

Por isso, permita-se gostar, tentar, ousar, querer. O amor é sentença arbitrada pelo destino. Nunca se sabe como ou quando irá chegar ou quanto tempo irá permanecer. O primeiro passo é dar as mãos, sem compromisso, na leveza do incerto, na curiosidade do desconhecido e na expectativa do ansioso, no quase sem querer. Quando a vontade torna-se diária, a preocupação ganha volume, o olhar ultrapassa os defeitos, o querer importa-se com o outro, o "INDIVI" encontra o "DUAL", daí ele surge...numa maré de possibilidades infinitas: O amor que não joga, que não se segura, que não se nega, que não se ignora,  que não finge não amar. O amor que ensina, compromete, relaciona, chora e faz chorar. O amor que escolhe continuar, que decide terminar, que diz, sem medo,  amar. Amor que não se repete, que se transforma, que se recorda e se faz desejar. Amor que inspira, escreve, prevalecesse, amadurece e se deixa amar. Amor sem fórmula, quando o desejo é amar.


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    "Triste é não sentir nada..."
                     Martha M.






"Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.

O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.

E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.

Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.

Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo."
Martha Medeiros


"Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima.
Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar"
Martha Medeiros
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