segunda-feira, janeiro 31

::ENCRUZILHADAS: CAMINHOS E DESCAMINHOS DA AÇÃO

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional."
Carlos Drummond de Andrade




Encruzilhada. Ponto convergente, de inércia antes do próximo passo, decisivo no caminhar que separa duas trilhas distintas, paralelas e que jamais se cruzarão. Momentos decisivos que confrontam a realidade sossegada de quem deixa acontecer. Cedo ou tarde, a caneta, segura na  mão em negação de quem não quer escrever, obriga o possuidor, indivíduo e dono da história, a rabiscar no rascunho de uma vida que é, foi e sempre será dele. Ponderar para agir, refletir para não cometer enganos. Salvo a regra que no "quase sempre" impera, na exceção da encruzilhada, o momento de pensar encontra seu termo final. Os resultados, infinitos nas possibilidades de ação, trilham rumo próprio, ceifam o caminho alternativo não seguido e, como um portal encantado, encerram qualquer indagação a respeito de qual rumo seguir, posto que o passo seguinte, ainda que desmedido, toma a rédea, em teoria não praticada, para agir no impulso quando não há mais possibilidade de paralisia.






"Não devemos ter medo dos confrontos... até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas."
Charles Chaplin

"Falar é completamente fácil,
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.

Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá."
Carlos Drummond de Andrade





O passo, responsável na atitude de quem sabe o que escolhe, encara a escolha, a decisão projetada, em conformidade com a renúncia preterida. O limbo de pensar, sentir e agir, quando compreendido na consciência de si e para si, encara os erros, acertos, hipóteses, ações e omissões de forma integral com a vontade dominante, alforriada e sem espaços vazios para culpas, inquietações e suposições do que deveria ter sido. Qual a vantagem ou proteção da atuação em monólogo perante a platéia de um só que reside em nós, encerrando atos em negações para o público transformado em auditório teleguiado de piadas portuguesas? Sem brechas para repeteco em "mais uma chance, mais uma chance", a paródia encerra-se ali, na burrice do automático, na algema do seguro e previsível.






"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."
Charles Chaplin



"O pensamento é o ensaio da ação."
Sigmund Freud



"Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, se convence que os mortais não podem ocultar nenhum segredo. Aquele que não fala com os lábios, fala com as pontas dos dedos: nós nos traímos por todos os poros."
Sigmund Freud





Escolhas podem revelar-se em decisões certas ou erradas, seguras ou nem tanto, mas, desde que sejam tomadas por impulsos verdadeiros de ação, qualquer consequência relativa ao momento ativo, agrega valores positivos aos caminhos futuros. Não interessa o mar revolto, desde que a nau possua comandante. As cabeças fervorosas, de quem escolhe o que quer a despeito da calmaria do cais, encontra em si a correnteza que leva para longe a segurança do porto, mas compreende o movimento da maré, para de fato viver o que é pra se vivido. Encarar a mistura da realidade que nunca é uma só, constante na certeza de sua mutação, crua, nua, sempre surpreendente e reveladora é aceitar a ausência de pontos fixos e imutáveis. Ser é viver em oposto, em paradoxos e contradições. Somos frutos do que somos e maduros quando colhidos no pé da experiência adquirida através dos erros, ousadias, escolhas, acertos, sortes, tentativas, transformações...tudo o que desagua no oceano da Vivência . Somos, quando vivemos e, vivemos quando descobrimos a liberdade inerente a cada um de nós. Liberdade responsável, ao contrário da anarquia empregada pelo carpe diem do instinto sem razão, mais negado do que vivido em si. Na responsabilidade de ser livre, o atributo solto é o espaço onde a felicidade se encontra e reside como um mestre joão de barro.






"O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto."
Fernando Pessoa

"Existo onde não penso"
Sigmund Freud





Vivemos em construções, somos arte em eterno movimento. A estática não cabe em nós. Ser feliz é para poucos. Poucos os que tentam, encaram e aceitam guiar e controlar suas carruagens. Ainda que fuja da compreensão, respiramos pelos nossos pulmões e nãos estes que respiram por nós. Engana-se o pobre coitado que só deixa a vida lhe levar. A inércia diante do destino, é uma forma de andar. Andar pelos descaminhos, ser leiteiro dos casos e acasos de uma vida que antes de ser da virtú é nossa, tábula rasa do livre arbítrio e responsável perante nosso destino. Viver é não ter respostas para tudo...e saber questionar, é saber se levar, é tentar SER.






"A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz."
Sigmund Freud





Qual é o verdadeiro intuito na interiorizarção banal do cotidiano hipócrita dos que vivem e "vamos lá...hoje é segunda, amanhã terça e sexta que me aguarde"? Todo dia é um novo dia, sem amarras para transformações, mudanças e desvios de caminhos que não correspondem mais. Ser feliz é ser você, é compreender o que sinto, o que sou, o que vejo, o que não entendo, o que quero, o que desejo e o que não me passa pela cabeça. É estabelecer regras, mas compreender a transgressão como prima da ousadia que impulsiona a coragem dos atrevidos. Não encontro resposta alguma, mas esbarro todos os dias com experiências e novas indagações. Sinto-me caminhando e aprendi que me despir na desconstrução é pilar estrutural para a constância de viver e assim sempre será. O aprendizado é eterno e nunca mestre senão de si enquanto contínuo na arte de absorver a lição. Desconstruir para construir de novo, não. O melhor, é a eterna construção.






Ser um joão de barro, um eterno aprendiz, uma constante revelação. Autêntico e insubstituível. Sagaz e corajoso. Errante e Dom Quixote. Consistente e real. Ser indivíduo, INDIVIsível no DUAL.





"Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também, o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos...“sem querer“
Freud

"Não existe uma regra de ouro que se aplique a todos: todo homem tem de descobrir por si mesmo de que modo especifico pode ser salvo."
Freud

"Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda."
Freud








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  Liberdade é pouco, o que desejo ainda não tem nome"



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5 comentários:

Anônimo disse...

sou mto fã do q vc escreve...me inspiro.

Mara Farias disse...

Os caminhos são escolhas que somos levados a percorrer!

A Cara da Poesia

David disse...

um sensibilidade incrível e uma profundidade angustiante...
parabéns!

Anônimo disse...

me comovo com cada palavra....

@CamilaTorresk8 3:03pm via Web disse...

@CamilaTorresk8 3:03pm via Web

Putz Muito legal Parabéns =]

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